No ano de 212 a.C., após um cerco de dois anos à cidade de Siracusa, na Magna Grécia, atual Sicília, esta foi capturada pelas legiões romanas. Quando a casa de Arquimedes – que com seus engenhos ópticos e mecânicos retardou ao máximo a queda da cidade – foi invadida pelos romanos, ele estava no quintal desenhando na areia suas figuras e estudos geométricos, quando um dos soldados pisou sobre os mesmos. Noli tangere circulos meos (não toque em meus desenhos), exclamou Arquimedes em seu precário latim, sendo imediatamente morto por uma lança, que destruiu fisicamente este velho filósofo e matemático. Mas não conseguiu eliminar o seu acervo intelectual, que, atravessando os séculos, chegou até nós.







Neste blog republicaremos também artigos da minha coluna semanal BRASILIANA, do jornal MONTBLÄAT editado por FRITZ UTZERI.




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Ralo


onde está
a inquietude
o inconformismo
a criatividade
de outrora?

onde estamos?

O Ralo.  Foto e Criação Gráfica  T.Abritta.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Da série Farsas e Farsantes:



Nilcéa Freire, ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres de Lula, ex-Reitora da UERJ e candidata a vereadora pelo PSOL no Rio em 2016, foi convidada por Crivella para ser a diretora do Museu do Samba, na Mangueira.   E aceitou!
Parece que a organização criminosa que domina o Brasil já está se recompondo, superando as desavenças pela divisão do roubo.

Afinal, sempre foram tão unidos...


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

E a Douta Ministra Carmen Lucia...



          Um fato ignóbil, também ocorrido na histórica sessão do STF do dia 7 de dezembro de 2016, quando esta corte se auto dissolveu, perdendo seu prazo de validade perante a Sociedade, foi a conspurcação da memória de Ferreira Gullar pela ministra Carmen Lúcia, que, conforme registrado por Ancelmo Gois, citou fragmentos do poema “Traduzir-se” em seu voto: “Uma parte de mim é permanente / outra parte se sabe de repente”.
          Esta é a desvalorização de nossa Cultura, onde um de nossos maiores poetas é desrespeitado na semana de seu falecimento, sendo sua obra usada para florear infâmias.  

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Contradições Supremas

Velho artigo, infelizmente atual...

Atentados ao Pudor. Foto T.Abritta.

Nos últimos dias assistimos pasmos, a mais um capítulo da degradação do Supremo Tribunal Federal como instância máxima do Poder Judiciário em nosso país. Em um julgamento deveria imperar a argumentação jurídica e não palpites e opiniões pessoais. Também não cabe a um Juiz ficar longo tempo se justificando tal um escolar que faltou às suas atividades e não entregou seu trabalho. Por outro lado, um Tribunal responde às criticas recebidas com julgamentos irretocáveis e não com agressões, como a proferida pelo Presidente do Supremo, Nelson Jobim, ao citar o “neo brocardo jurídico”: “O idiota perdeu a modéstia”. Triste um tribunal que tem de substituir a linguagem jurídica por citações de Nelson Rodrigues. A situação do Supremo é preocupante para a Sociedade Brasileira, pois seus membros são protegidos por princípios constitucionais como: vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade de vencimentos etc. Princípios que seriam uma garantia de julgamentos isentos e não a falta de critérios que impera nesta Corte. Infelizmente os critérios de escolha dos Ministros deste Tribunal passam ao largo do conhecimento jurídico ou dos critérios de independência e retidão. Na prática o que impera nas indicações é um preenchimento de cotas raciais, representação feminina, cotas da advocacia de empresas, amizades, fidelidade partidária, parentesco etc. Isto tem levado a decisões totalmente contraditórias aos princípios constitucionais ou ditames legais, com os magistrados mudando constantemente os seus votos ao sabor de forças que Deus sabe.
          A contradição mais séria deste Tribunal é ter um Presidente que exerce uma intensa atividade política o que é vedado pela Lei Orgânica da Magistratura. Quando isto é tolerado todo corpo da Corte é contaminado pela omissão. Por outro lado, este Tribunal não respeita os próprios princípios constitucionais, como o respeito aos direitos adquiridos e irredutibilidade de salários, sendo o exemplo maior a taxação previdenciária dos inativos aposentados por ocasião do julgamento desta questão. Durante os capítulos finais da novela “Dirceu”, o que mais escutamos dos Ministros do Supremo foi a defesa veemente do “Princípio do Contraditórioque acabou sendo esquecido a favor de uma ajeitação como conseqüência do desmoronamento desta corte perante a sociedade. Alguns vícios graves também existem neste Tribunal. Em uma sociedade onde impera o comportamento ético, todas as pessoas em posição de julgador, seja um magistrado, um professor ou até mesmo um jurado de escola de samba, sempre que vão julgar outra pessoa com a qual tem relação de parentesco, amizade ou grande aproximação se declaram impedidos de modo a assegurar a lisura do seu julgamento. Infelizmente este não é o comportamento observado no Supremo Tribunal Federal que deveria servir de exemplo para toda a Nação.
          Devemos refletir seriamente para que este tribunal seja uma garantia da nossa Constituição e não uma mera e onerosa instância formal fluindo na corrente do descrédito dos demais Poderes.

Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 2005
Teócrito Abritta

Publicado no Montbläat 130, 6 de dezembro de 2005

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Voz das Ruas: Vox Populi Vox Dei



ministrinho ministrão
supremo rastejante ou não
quem anda molhando a mão?
o Povo quer Justiça
contra esta corrupção
vamos apanhar vocês
com as calças nas mãos
vamos cortar sua podridão


De um cantador de rua, esta semana na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Alta Tecnologia


            Enquanto o Brasil entra na era espacial pela porta dos fundos pagando 10 milhões de dólares por uma mera carona no ônibus espacial russo, vamos falar daqueles brasileiros que não pertencem ao MST nem aos programas de Bolsa Família ou Cesta Básica e, portanto, têm que trabalhar com grande criatividade e afinco para sobreviver.

            Na figura abaixo mostramos uma singela viatura conhecida popularmente como jerico ou paco-paco.  A foto foi tomada em uma poeirenta estrada que liga a cidade de Alta Floresta às barrancas do rio Teles Pires em Mato Grosso.  A origem desta criativa máquina andante vem de alguns anos atrás quando o governo federal expulsou milhares de garimpeiros que viviam da larva de cassiterita no município de Ariquemes em Rondônia.  Esta multidão de trabalhadores foi dispersada a toque de caixa, que uma empresa em poucos dias assumiria o garimpo desse valioso minério de estanhoCom uma mão na frente e outra atrás, estes brasileiros abandonaram uma infinidade de máquinas, equipamentos, bombas etc.  Normalmente toda esta sucata industrial significaria mais poluição no nosso tão degradado meio ambiente.  Felizmente ali entrou a criatividade e capacidade de trabalho dos brasileiros que simplesmente reciclaram todo material abandonado, transformando-os em jericos ou pacos-pacos que rodam por várias cidades e estradas da Amazônia.  Estes veículos usam os motores das bombas de mineração e obedecem diversas normas de segurança, possuindo inclusive pisca-pisca, espelho retrovisor etc., sendo ainda extremamente econômicos, rodando mais de 20 km por litro de gasolinaUm ponto que me chamou muita atenção no designe deste veículo (não mostrado na foto) era o seu interior forrado com um velho tapete tipo persa que foi aproveitado de um lixão, mostrando que não é a socialite Vera Loyola que gosta de tapetes persas nos pisos de seus carros


            Nesta segunda fotografia, mostramos uma outra viatura um pouco mais sofisticada chamada de carreta agrícola que trafegava na região do município de São Miguel das Missões no Rio Grande do SulTambém é feita com material reciclado e tem como ponto mais interessante a logística no uso do seu motor fabricado originalmente para máquinas agrícolas. Na época da colheita ele é adaptado a uma colheitadeira, podendo ainda ser usado em equipamentos para pulverizações e irrigações das plantações. Nas entressafras é adaptado na carreta agrícola. No dia da foto o nosso caro fazendeiro trabalhava cortando capim nas margens da estrada para levar para o seu gado, de modo a complementar o seu pequeno pasto e de quebra contribuía para a comunidade economizando as verbas públicas na manutenção da estrada.
            Aqui vão dois belos exemplos de alta tecnologia, felizmente bem distantes do Departamento de TI (Tecnologia da Informação) da Caixa Econômica Federal, pois não foram construídos para trafegar na lama.  


Rio de Janeiro, 3 de abril de 2006.
Fotos e texto por Teócrito Abritta.